Segredos que Não São Mais Segredos
Por Michel Bruno

Quando penso naquele novembro quente e úmido de 2003, no meu primeiro campeonato em Santos (SP), ainda me lembro com clareza dos pensamentos que me passaram pela cabeça ao receber meu terceiro lugar: como esses criadores conseguem tanto tamanho nos peixes? Quantos de vocês, ao pensar no começo no hobby, admitem ter tido pensamentos parecidos?
Passei os últimos 22 anos tentando responder a essa pergunta. Em 2003 eu era um novato completo, mas sempre procurei aprender com os mais experientes e prestava atenção sempre que algum “grande nome” do hobby falava.
Aqui estão alguns desses segredos e que você provavelmente já conhece:
1. Tamanho é tão genético quanto alimentar. Se você trabalha com uma linhagem com endogamia alta, ou melhor, que produz peixes pequenos geração após geração, nenhuma dieta vai mudar isso. Só um cruzamento com uma linhagem compatível e que tenha ótimo tamanho, resolverá o problema. O oposto também é verdade: uma boa genética pode disfarçar uma alimentação irregular.
2. Machos atingem 90% do tamanho final entre 4 e 6 meses. Vale a pena gastar náuplios de artêmia e outros alimentos especiais nessa fase final? Não seria mais vantajoso direcionar esse esforço para os peixes mais jovens?
3. Duas refeições diárias de artêmia viva valem dez vezes mais do que uma. Incube mais do que precisa para a refeição principal e guarde o restante em água com sal e na geladeira. Priorize os peixes ainda em fase de crescimento. Lembre-se de enxaguar bem os náuplios antes de oferecer aos pequenos.
4. Não é preciso alimentar 12 vezes por dia para obter peixes grandes. De quatro a seis refeições de qualidade produzem o mesmo resultado. Doze refeições, na maioria das vezes, resultam em água suja, peixes estressados e doenças.
5. Trabalho não é desculpa para não alimentar. Desenvolva uma rotina que aproveite os momentos em que você está em casa. Alimente antes de sair, ao voltar, durante os intervalos. A chave é a regularidade.
6. Náuplios de artêmia recém-eclodidos são o melhor alimento que você pode oferecer. Artêmias recém nascidas, associadas a duas a quatro arraçoadas diárias com rações comerciais, são suficientes para alcançar o tamanho desejado.
7. Não economize na quantidade. E daí se houver artêmia viva nadando no aquário enquanto você está no trabalho? Isso é o ideal: o melhor alimento disponível para seu peixe o dia todo. Tente oferecer um pouco mais do que estima que será consumido. A água pode ficar levemente turva, mas o que você busca; peixes grandes ou água cristalina?
8. Não coloque alevinos pequenos em aquários grandes. Como esperar que eles cresçam, se gastam muita energia para encontrar o alimento?
9. Quando ovos de artêmia de boa qualidade estiverem disponíveis, estoque. Já passei por alguns períodos em que cistos com alta taxa de eclosão simplesmente sumiram do mercado. Vale o investimento. E para lotes com eclosão ruim, deixe-os na geladeira e verá que a eclosão irá melhorar gradativamente. A refrigeração retira a umidade podendo melhorar a taxa de eclosão.
10. Busque linhagens compatíveis para cruzamentos. Repasse suas melhores linhagens a outros colegas e associados. Isso garante uma fonte confiável para a continuidade genética no futuro.
Pronto! Não há mais segredos no hobby. 😀
